segunda-feira, 26 de abril de 2010

Trilhos de sangue (Parte 2)

Após algum tempo procurando Jhonatan, os dois meninos apavorados e cansados, resolveram que deviam ir em busca de ajuda. Afinal mesmo que o encontrassem, provavelmente não conseguiriam carregá-lo sozinhos.
- Mike, Mike! Olhe só, tem uma casa há uns 500 metros naquela direção. – Disse o gordinho apontando seu dedo rechonchudo rijo em direção a uma luz na escuridão. Mike arregalou bem os olhos no local para confirmar.
- Você está certo, é uma casa. E as luzes estão acesas, significa que há realmente alguém morando nesse fim de mundo. – Mike ajeitou sua mochila com novo ânimo, e começou a correr em direção à luz.
- Ei, me espere! - Gritou o gordinho transpirando, enquanto se levantava.

Algum tempo depois, estavam os dois em frente à casa. Jhonny não escondeu o espanto, afinal de contas, de longe ela parecia tão pequena, mas de perto, um casarão. Mike percebeu que o amigo estava deslumbrado e decidiu tomar a frente. Subiu a escadinha velha, que rangeu enquanto se movia sobre ela, e bateu na porta.
- Tem alguém aí? Precisamos de ajuda, sofremos um acidente! – Gritou o menino, que poucos segundos depois, ouviu uma agitação do outro lado.
- Tem alguém vindo Mike, pare de gritar. – Jhonny ainda estava no pé da escada, não queria dizer, mas estava com medo. E também não era por menos, afinal, quem construiria uma casa em meio a um matagal abandonado?

A porta se abriu um pouco, deixando transpassar um feixe de luz que fez o gordinho medroso subir dois degraus dos cinco que o separava de Mike. A cabeça de uma velha bastante enrugada surgiu entre o espaço entreaberto.
- Têm mais alguém como vocês?
- Não, apenas eu e meu amigo Jhonny. – Após o garoto valente dizer isso, a velha esticou o pescoço para ver quem estava no meio da escada. Percebendo isso, o amigo de Mike se aproximou, deixando ser visto.
- Vamos, entrem. É perigoso ficar aí fora. – Pediu educadamente a senhora.
- Sim senhora! – Repetiram em uníssono.

Os dois garotos acomodaram-se no sofá, e logo em seguida a velha os trouxe chocolate quente para beberem enquanto contavam tudo a ela. A senhora, que se chamava Alda, confortou-lhes dizendo que seu marido iria sair em busca de Jhonatan, e que deviam tomar um banho e passar a noite lá. Mike relutou um pouco, mas logo foi convencido pelo seu exausto amigo rechonchudo.

- Nicanor! Venha aqui, temos visita! – Gritou a velha fitando a velha porta de madeira do porão, que ficava entre a sala que estavam, e a cozinha. – Alguns segundos depois, a porta se abriu com tamanha rispidez que Jhonny esboçou um grito.
- Que diabo está gritando mulher! Não está vendo que... – O idoso, segurando um cutelo, engoliu o que falava ao olhar para os dois jovens no sofá.
- Estes são Mike e Jhonny, eles sofreram um acidente. O trem em que estavam descarrilou. – Alda parou de maneira estranha a frase, respirou profundamente enquanto se virava para os meninos. – Ei, por que vocês já não vão se deitar enquanto explico para ele o que aconteceu? – Pediu olhando de soslaio para Nicanor – Todos os quartos no andar de cima estão vagos, com exceção do último no fim do corredor. Fiquem a vontade para escolher. Há, e o banheiro é logo na primeira porta a esquerda.
- Mas não podemos comer nada antes? Estou faminto. – Perguntou Jhonny.
- Não! – Respondeu Mike, já sentindo um constrangimento pela indireta do seu companheiro. – Vamos subir, e logo ao clarear partiremos. – Disse puxando o amigo para as escadas que davam ao segundo andar do enorme sobrado.

O andar de cima era simplesmente um corredor central com três portas de cada lado. Essa parte da casa, como toda a estrutura, eram feitas de madeiras velhas. O chão, empoeirado. E as paredes, repletas de teias de aranha. Mas ambos não estranharam, afinal, dois velhos em uma casa desse tamanho, dificilmente conseguiriam mantê-la limpa. A situação do banheiro parecia pior, pois além de sujo, havia baratas mortas no chão, e tufos de cabelos, que mais pareciam ratos, presos no ralo por onde desceria a água da banheira. Decidiram dormir sem o banho mesmo.

- Espere, nesse quarto só tem uma cama! – Indagou Mike.
- Bom, mas é de casal, acho que não há proble... – Mike o interrompeu antes que concluísse a frase.
- Nem pense nisso!
- Mas...
- Há vários quartos vazios, você já é grandinho pra dormir sozinho. – Jhonny fez uma cara de desapontamento, mas não insistiu. Isso soaria meio gay para seu amigo.
- Tudo bem, mas qualquer coisa me chame. Deixarei a porta aberta.
- Tá, como quiser. Te acordo pela manhã.
- Boa noite Mike
- Durma bem Jhonny.

Já era madrugada quando Mike acordou assustado. Pensou ter escutado gritos. Sentou-se na cama e ficou esperando como se em algum momento o que tivesse ouvido voltasse a soar. Esperou aproximadamente 20 minutos, e nada. Tentou voltar a dormir, mas não conseguiu. Tinha certeza de que ouvira algo. Resolveu chamar Jhonny para verificarem se estava tudo ok. Levantou-se da cama, acendeu a luz. O quarto de seu amigo ficava bem em frente do seu, e estava com a porta aberta como houvera dito anteriormente. Mike entrou paulatinamente.
- Jhonny, seu gordo dorminhoco, acorde. – Sussurrou enquanto acendia a luz. – Ei mexa essa bunda gorda, acho que ouvi algo.
Mike puxou o lençol do amigo com força.
- Vamos acor... – Jhonny não estava lá, havia somente dois travesseiros dando volume debaixo do pano.


Continua...

3 apreciações:

  1. muito bommm
    Continuaaaaaaaaaaa

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  2. Mandando bem hein Gabriel!!! Suspense é mt bom!!! Li as duas partes de "Trilhos de Sangue", fico na espera da sequência agora (e bem q podia ganhar um livro também né, rs).
    Valeu garoto!!! Força aí.
    Abs.

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  3. Obrigado Vitão!
    Na verdade escrevo por hobby. Já mandei alguns contos para concursos, entretanto o auge mesmo foi o lançamento de um livro por uma editora carioca, que na visão dela, reuniu os 13 escritores brasileiros mais promissores no quesito "Contos de terror". E incluiu dois contos meus.

    Infelizmente não nasci num país em que a literatura é algo notório. Então, só por hobby mesmo.

    Mas agradeço a leitura!
    Grande abraço!

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