sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Brincando com fogo

Sete de maio de 1972, esta era a data em que Charles Weller completaria 18 anos de idade, época da vida tão esperada pelos jovens. O singelo rapaz não estava feliz apenas com o advento da grande festa, mas sim, com o presente há anos prometido por seu avô, uma espingarda calibre 12. Charles, apesar de seus 17 anos, era um exímio aprendiz de caçador, porém, estava cansado de apenas assistir as investidas de seu avô. A partir da meia-noite o aguardado dia de protagonizar chegaria.

Os preparativos da festa se iniciam, bexigas vão, confetes vêm, uma grande desordem toma conta da antiga mansão dos Wellers. Porém, Charles está em seu quarto, ansioso para enfim poder ter o tão aguardado presente em mãos. Tamanha a euforia que Charles não agüenta e decide vasculhar o velho hall onde estavam guardados os presentes.

- Sim, era isso mesmo que procurava! – diz o jovem ao encontrar a tão preciosa arma. Charles agora era destemido e imbatível, estava a horas de completar 18 anos e já possuía sua arma. Era como se agora um novo mundo se abrisse para o jovem. Entretanto, o rapaz não imaginaria o quanto iría se arrepender daquele momento.

- Charles, o exterminador não precisa de festa! - O jovem pensava. E assim, com essa idéia, partiu em direção a uma mata fechada, um verdadeiro dédalo que contornava sua casa.

O relógio marcava nove horas da noite, e Charles agora estava extraviado ante a mata. Não podia enxergar nada em meio à escuridão, não podia correr e muito menos podia chorar. Este era o momento de mostrar o quanto era homem! E o quanto era capaz de sair daquela situação. – pobre Charles, um rapaz ingênuo, nunca nem ao menos andou descalço em sua mansão e agora estava se auto-intitulando Hércules. – Charles decidiu que ficaria de vigia na mata até o despontar do sol, e assim o fez.

Começa a chover. Uma tempestade se aloja na região. Mas mesmo assim, Charles está arguto como um cão de guarda, mirando sua espingarda para um alvo existente apenas em sua imaginação. Um barulho é ouvido, e em meio ao susto – Bang! – É disparada a arma, o silêncio volta a tomar conta do lugar. O rapaz com receio da besteira que fizera, segue em passos acanhados até o encontro do alvo. Com o iluminar do relâmpago, Charles vê sua irmã de apenas quatro anos agonizando em meio a lama. Mas Charles é destemido. Como já vira muitas vezes nos filmes, o rapaz em meio a lágrimas extermina a irmã com um tiro no peito, assim como os mocinhos dos filmes fazem com seus cavalos ao se ferirem nas cavalgadas. – Pobre Charles, não teria tempo de caçar mais ninguém, pois seu próximo passo seria algo ainda mais insano, próprio de alguém que conhece a vida apenas por uma tela de TV. – O rapaz aponta a arma para sua própria cabeça, e como num ato heróico e corajoso, pois assim faziam os japoneses ao cometerem o kamikaze. – Bang! – Atira contra sua própria cabeça.

Ao amanhecer, são encontrados os corpos. Lágrimas por toda a família. – Como um garoto poderia cometer tal ato! Ele só tirava notas boas e nunca fez mal a ninguém! – era dito por seu pai. – Deveria ter sido eu e não ele! – gritava a mãe. E em meio a toda essa amargura, a família se mudou para uma cidade longínqua, e nunca mais foram vistos novamente pelas redondezas da mansão.


Há... Mas não fiquem tristes! Essa história não ira acabar por aqui, vocês ainda ouvirão falar muito dos Welles. Fiquei sabendo que o novo caçula da família, Mike, já fez sua listinha de natal, e como de praxe, uma pistola Magnum 44 está no topo da lista.

1 apreciações:

  1. Muito legal Gabriel... uHAUHuhauHAU
    Adoro essas historias... Parabéns pelo seu Blog

    Abraços...
    Rodrigo D.S.R.Coelho

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